Subindo a ladeira, quase sem fôlego, avistou aquele imenso Ipê amarelo carregadinho de formosura.
Lembrou-se da infância e de tantas brincadeiras protegidas pela sombra do Ipê. Este era o seu palácio, e o tapete que formavam as flores amarelas caídas no chão, era do que mais se orgulhava em sua morada imaginária. Depois veio a adolescência, e sob o Ipê, muitas juras de amor e beijos afoitos, cheios de ansiedade por um porvir desconhecido, mas repleto de sonhos.
Quando casou-se, mudou de cidade e por lá nunca encontrara um Ipê pelo caminho. Tantas coisas aconteciam diariamente em uma vida consumida pelo refazer-se, que logo aquele amor de outrora ficou esquecido em algum lugar de sua memória.
Pois a vida passou com os anos ligeiros, feito corrida de 100 metros!
Um dia, sozinha, com a idade já avançada, partiu sem rumo pela estrada. Queria somente percorrer outros caminhos, degustar novos sabores, deleitar-se com bons perfumes e aproveitar-se da sua inteira companhia. O silêncio era algo que apreciava, por isso escolheu verdes campos como moldura de sua aventura.
