Minha memória mais uma vez me passou a perna, mas eu só tenho a agradecer.
Um amigo me emprestou o filme "A Casa dos Espíritos", pois eu não me recordava de ter assistido. No decorrer da trama fui lembrando com clareza das cenas que viriam em seguida, mas o encanto por assistir até o final não se perdeu. Dotado de um roteiro riquíssimo e interpretações tocantes, este filme chegou fundo no coração e lavou a minha alma nesta noite fria.
Compartilho alguns trechos especiais que valem a pena ecoar dentro de nós...
"Você não deve desejar a morte, minha filha. Isso não é importante. A morte virá de qualquer forma. Você tem que lutar para viver, pois a vida é um milagre."
"E hoje pergunto-me se quero contribuir para a interminável história de ódio, sangue e vingança. Mas já não encontro razão para isso. Pra mim a vida é minha filha... a luz... o dia... este exato momento, as recordações, o futuro. Para mim, a própria vida se torna a coisa mais importante."
São tantas as vendas que nos vestem a alma que chegamos a percorrer uma existência inteira sem nos darmos conta do nosso verdadeiro propósito de vida...
Sou filha de uma eterna adolescente que viveu intensamente a década de 70, reproduzindo em seu micro universo a essência do movimento hippie.
Amor, paz, liberdade e respeito com o outro e com o planeta, nossa única e verdadeira casa.
Nasci em um lar completamente fora dos padrões da época e tenho só a agradecer por isso!
A mensagem de amor incondicional sempre permeou a minha educação e mesmo assim, só agora, com 32 anos, começo a entender o que isso significa...
Os caminhos são por vezes tortuosos, especialmente quando negamos a mudança e queremos nos manter estáticos diante de um mundo em constante transformação. Eu mesma neguei tanto por muito tempo e isso me jogou em um poço de tristeza e insatisfação. Colocou-me tão distante da minha essência que até os sonhos me abandonaram... doeu.
Temos dois caminhos para a evolução: o amor e a dor. Amar e sentir dor é uma das dualidades da vida. São duas pontas da mesma corda. É muito difícil admitir que culturalmente estamos condicionados a optar pela dor, que cultivamos a dor. Essa é uma triste verdade. Mas afinal de contas, se podemos aprender amando, porque optamos pela dor?
Simples. Porque ainda não aprendemos a amar.
Não entendemos o que significa amor incondicional. Então, na busca desse entendimento, procuro em um primeiro ímpeto, o dicionário:
Incondicional: que não depende de condições; sem restrições; discricionário (ilimitado).
Como assim amar incondicionalmente se é ilimitado e não depende de condições? Afinal de contas, um amor solitário é sangrar a céu aberto, e um amor correspondido é guardado feito tesouro de rei e rainha, a sete chaves...
Assim, prosseguimos achando que amar necessariamente implica em sentir-se correspondido quanto ao sentimento, intensidade e formas de demosntrá-lo. Necessitamos também, sem dúvida, possuir inteiramente esse sentimento. Ele torna-se nossa propriedade, pois entregar o nosso grande pote de ouro com todo o nosso amor é algo valioso demais para ser desperdiçado com alguém que não saberá cuidá-lo e apreciá-lo na medida que achamos correto e digno.
Ahhh ledo engano... nós nos tornamos seres inseguros demais!! Perdemos a noção do que é amar de verdade assim que nos desligamos do olhar interior e demandamos todas as nossas percepeções do que recebemos do mundo ao redor. Dessa forma deixamos de nos amar, nos reconhecer em qualidades e limitações e nossa visão fica refém de um espelho que deforma, é embaçado.
Olhamos os nossos semelhantes com medo e isso gera isolamento e competição. Achamos que amor implica em obrigações com o outro. Achamos que a clausura é opção de quem ama de verdade e vamos pouco a pouco adoecendo sem perceber. Adormecendo em um crescente pesadelo sem fim... E feito um buraco negro, o vazio só faz aumentar, até que nos devore por completo!
Daí é preciso agarrar-se a vontade de viver bem, de se fazer feliz e criar coragem! Coragem e persistência para seguir o rumo desconhecido de se reconhecer, refazer, reconstruir...
Compartilhamos todos de uma natureza curiosa e pioneira, somente diferenciamo-nos pela coragem de buscar essa natureza na vida prática.
Inevitavelmente a busca de um reencontro consigo mesmo é solitário. É preciso cultivar o silêncio e a observação como adubo fértil da consciência.
A ajuda chega por diversos caminhos e um deles é a leitura. Ler ficção, filosofia, poesia, romance, prosa, seja o que for, ler transcende nossos limites sem tanta resistência... e lendo me deparei com um romance antigo mas atual. Singelo e recheado de verdades universais... dele recolho esse trecho:
"Cada pessoa precisa encontrar toda a capacidade de amar dentro de si mesma, sozinha.
... quem não tem controle de todo o seu potencial de amor, quando encontra alguém apenas parasita o amor do outro... assim, um parasita o amor do outro, para completar o amor que está lhe faltando para viver."
(O Coiote - Roberto Freire)
Quando nos entregamos verdadeiramente a busca pelo aprendizado do amor incondicional, o universo conspira ao nosso favor!!
O que identificamos em nosso silêncio será colocado à prova na vida prática quando menos esperamos. Porquê, se para atingir a consciência é preciso recolhimento e reflexão, para concretizar a mudança, é imprescindível a ação.
Quanto ao tempo que essas transformações irão demandar... bom, daí é muito particular. O tempo de cada um é único. Mas se a intenção é verdadeira, a vida flui de forma muito natural e te leva a incríveis 'coincidências'...
Neste final de semana, um amigo querido me fez recordar a adolescência quando coloca o DVD com o musical HAIR... um dos meus filmes prediletos na época e por tanto tempo empoeirado em um canto desconhecido da memória.
Logo no início do filme a música Aquarius surpreende meu momento... hino de amor que descreve a realidade desse século... mais uma vez, o universo traz as minhas mãos um sinal de que estou no caminho certo.
Vertiginosa queda em um abismo que parece não ter fim, é o que sinto ao entregar-me ao silêncio que existe em mim. Estranho desconforto confunde-se com solidão. Persisto. Quando nos escravizamos pela colheita dos cinco sentidos, habituamo-nos a muitos ruídos que nos acompanham sem ser acompanhamento, e sim, o compasso do nosso ritmo. Ilusão! Desde quando ruído pode ser compasso? O ritmo é particular e intransferível. O ritmo é seu e não do mundo ao seu redor. Não importa a demanda, ela sempre existirá. Importante mesmo é o compasso do seu silêncio. Porque o silêncio na verdade é dotado de melodia sutil, harmônica e sussurra verdades à consciência. É preciso muita dedicação para sintonizar essa frequência! Recolhimento e silêncio não é solidão, é acompanhar-se de você mesmo. Você não é boa companhia não?!?...
Agora, se a frequência é o ruído, a interferência, e o silêncio está fora do ar... então, divirta-se!! Absorva-se pelo que te faz rir, pelo que te dá prazer!
"O que nós vemos das coisas são as coisas. Porque veríamos nós uma coisa se houvesse outra? Porque é que ver e ouvir seria iludirmo-nos Se ver e ouvir são ver e ouvir?
O essencial é saber ver, Saber ver sem estar a pensar, Saber ver quando se vê, E nem pensar quando se vê, Nem ver quando se pensa.
Mas isso (triste de nós que trazemos a alma vestida!), Isso exige um estudo profundo, Uma aprendizagem de desaprender E uma sequestração na liberdade daquele convento De que os poetas dizem que as estrelas são as freiras eternas E as flores as penitentes convictas de um só dia, Mas onde afinal as estrelas não são senão estrelas Nem as flores senão flores, Sendo por isso que lhes chamamos estrelas e flores."
(via @jeffersonguedes em resposta ao poeminha da Adélia Prado: “De vez em quando Deus me tira a poesia. Olho pedra, vejo pedra mesmo”)
"Se vê quando não se entende a linha
Se sabe mesmo estando escuro
Se decora pelo tato, paladar, olfato
Se faz logo mesmo quando distante
É porto mesmo quando sem água
Faz-se minha mesmo quando ausente
Faz-se sempre mesmo quando o tempo pára"
"Utopia. Ella está en el horizonte. Me acerco dos pasos, ella se aleja dos pasos. Camino diez pasos y el horizonte se corre diez pasos más allá. Por mucho que yo camine, nunca la alcanzaré. ¿Para qué sirve la utopía? Para eso sirve: para caminar”.
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Li esse textinho a muito tempo atrás e já não constava os créditos. Se alguém souber me dizer de quem é, eu agradeço!
Sentia perfeitamente a oscilação das suas substâncias e voltou toda atenção ao próprio corpo. Influência das últimas notícias que ouvira na TV: - … a curva causada pela baixa de estrogênio e o aumento da testosterona... pico de LH, produção de sei lá o que… toda uma descrição de atividades químicas intensas, que percorrem em ciclos, os longos e efêmeros dias de nossas vidas.
Fervilhavam cócegas que podiam, muito bem, assumirem-se tesão e relaxarem lambuzadas no gozo... mas havia a tensão em outra via, contra-mão, onde toda a sensação toca o desespero do momento da explosão, do sentir-se rendido, cansado, acabado, em desconstrução! Este momento é tão intenso, real e decisivo, que não é possível temer arrependimento por nenhuma precipitação encalorada da emoção. Um sentir-se sufocado que denota um forte desejo de mudança, uma insatisfação… ou seria a curva?
- Esta asfixia é um não saber lidar com finais de ciclos, com a morte. A morte não é um fim, nem o abandono, a indiferença, a distância ou o esquecimento. Também não é morte reservar mágoas, dúvidas, arrependimentos. A morte é o espaço necessário para o latente romper a fina película que o separa da realidade, do crescer e florescer. Este espaço deve ser fértil, e é alimentado por quem antes o habitou.
Assim, a intuição resgata do pânico particular, usando uma lista mental crescente de aprendizados válidos durante o ciclo que chega ao fim.
É mesmo importante ajudar essa energia a encontrar seu percurso, pois ela destrói os nervos de praticamente todo "homem fêmea".
* To-da me-ni-na tem TPM / só a bailarina que não tem *
- Por maior que seja a indisposição, é movimento, ação!...
... dizem que melhora, diz a bailarina que não tem...
"O passado é como o lixo. Ou você o recicla ou contamina todo o seu futuro com ele."
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Realize o presente que reflete o seu anseio de futuro - penso muito nisso.
A reciclagem começa com uma decisão em qq tempo. É preciso coragem, persistência, dedicação, paciência e o resultado aparece.
É feito músculo, precisa exercitar a consciência e assimilar faz parte de um processo mto particular, variável, mas acontece, pois todos caminhamos para o mesmo lugar e vamos chegar em algum momento nesse ponto único de onde tb viemos.
"Y después de hacer todo lo que hacen, se levantan, se bañan, se entalcan, se perfuman, se peinan, se visten, y así progresivamente van volviendo a ser lo que no son".
... "pois era assim que eles gostariam de ter estado, um e outro criando um ideal sobre o qual ajustavam no presente sua vida passada. Aliás, a palavra é uma prensa que sempre alonga os sentimentos."
"Comédia romântica é anticlímax. Deviam fazer mais filmes como 9 canções. 1000% libido:"
(via @BagulhoBom)
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Esse filme é uma delííííciaaaa!!
Vejo os atores principais como sendo duas pessoas dispostas a viver uma grande aventura, desinibidas, desprovidas de pudores... pq a busca do diretor não poderia bastar-se apenas por bons atores, não é verdade?!?
Para chegar a esse resultado de tesão, arrepio e emoção... precisava rolar a química da experiência sem amarras!
Assistir 'Belle de Jour' funcionou como um bálsamo para a dor do desapego. A negação materializa as piores situações... Negamos para justificar apegos...
Depois que desapegamos de sentimentos como a posse, insegurança, medo, falta e vivemos a abundância, o amor incondicional, o presente eterno... a dor passa e o prazer fica!
Aliás, se revela um prazer inigualável, imperscrutável, como fundir-se ao Divino.
Coragem! Descubra a liberdade e viverá um grande amor antes de mais nada, com você mesma... simplesmente acontece. Feito imã, você atrai semelhantes... tire a venda, saia da matrix e olhe ao seu redor.