Madalena em crise...


Correr, buscar o que se perdeu. Escravidão, sempre passado ou futuro enquanto o presente sem deixar a menor dúvida, simplesmente passa… te deixa novamente a sós com o querer ser que persiste no futuro e o pesar do que se deixou ser passado. Mundo de ilusões onde a satisfação não se dá em nada realmente REAL. Parece ser assim, Madalena se perdeu no labirinto do jardim, era um castelo imensurável e belo. Madalena se sentia profundamente vazia. Então comia, mas não satisfazia. Então dormia… mas o sol insistia e Madalena abria seus olhos arregalados e brilhantes… esperança! Mas logo o dia engolia aquele brilho amanhecido de um repouso aquecido e de volta ao vazio lhe trazia. Madalena doía, doía o peito, doía o braço, doía o pé, doía o corpo inteiro e nada, nada lhe trazia sossego. De volta ao jardim, Madalena sorria… aquele andar silencioso e uterinamente aconchegante. Curvas forçadas pelo emaranhado verde e espesso que se tornava cada vez mais agudo, parecia buscar o céu de Madalena. E o calor crescente chegara ao ápice! Assim como a felicidade – sim, porque isso deve ser a tão famosa felicidade: a plenitude de um único momento que preenche mais do que até então todos os anos vividos.
Mas o frio começa a invadir a luz desse instante e tudo volta ao tom nublado de um dia a se refutar: porquê?
Madalena não entendia… sem entender se perdia… sem se achar, compadecia…
As migalhas nem foram jogadas ao vento, sequer pássaros se satisfizeram… simplesmente se perdera labirinto a dentro, de tal forma que desconhece para todo o sempre como chegara neste lugar.
Agora aqui é o novo, é o começo, é o vazio. Desse instante ao momento do primeiro pensar, um retorno a dor. Presa a si mesma. Enredada na teia de seu ilusório carrasco atem-se ao fato de não poder se quer mexer o mindinho. Por onde devo começar?... questiona Madalena ao céu impávido. E seu brilho inabalável, sua força expressa em estrelas diversas que alternam moradas de longas distâncias e não se perdem nem se quer por um segundo! Vão afligindo Madalena que se vê a beira do abismo, em fúria com sua existência. Desperdício!! Pobre Madalena, não é à toa que de garoa em garoa, agora já nos quatro cantos ecoa: Madalena arrependida! Chora Madalena, chora e molha a terra desse velho lugar dito novo. Pois o vazio jamais ausente, se fez perdido em dia de sol reluzente como uma gota de bondade a despertar saudade… teu peito agora só arde: raiva, dor invade e sufoca força e amor. Destruição. De novo o vazio antes que habitado torna-se cheio de não querer, de velharias inconstantes e temperamentais. Quero de novo um novo lugar e de lugar em lugar tantos novos a ansiar… passou! A morte chegou. De novo, um novo lugar – mas antes deixa eu olhar pra trás, esperei tanto por esse momento: … vazio … Madalena partiu.