Natal?


Natal continua sendo uma data triste para mim. Por quê? É como diz em uma música do Renato Russo: “Vamos celebrar a estupidez humana, a estupidez de todas as nações. O meu país e sua corja de assassinos, covardes, estupradores e ladrões...”

Jesus Cristo eu acredito que tenha sido um homem de bem e muita coragem, de atitude e considerado por muitos de sua época, um louco. Entendo por Jesus Cristo, um filósofo por natureza iluminada, que se assemelha mais ao que descreve José Saramago em sua obra de ficção ‘O Evangelho Segundo Jesus Cristo’, do que prega a igreja.

A igreja católica não passa de uma instituição de poder econômico, cultural e social, que soube no decorrer dos séculos, guardar as informações privilegiadas e manipular as massas segundo seus interesses, sob o escudo do oculto, do poder espiritual, do falso saber sobre o desconhecido e inquietante de onde viemos? Porque vivemos? E para onde vamos após a morte?

Aliado a isso, façamos dos presentes dos reis, o símbolo 'espiritual-comercial', um dos alicerces por mensagem subliminar da instituição do capitalismo. A festa do comércio, que precisa vender para sustentar a produção em larga escala, compulsiva, e inerente a nossa cultura até então, mas que não faz mais sentido com a consciência de mundo que temos acesso hoje. Viver de forma mais sustentável implica em mudar o estilo de vida, e não basta reciclar o lixo.

Essa merda toda de Natal que a mídia nos bombardeia é pura celebração da hipocrisia, da mentira que é o cristianismo, da mensagem clara e exposta que espiritualidade, fazer o bem e estar em contato com o cosmos nada tem a ver com uma instituição religiosa que adoeceu por séculos a vida e a cultura de um grande número de pessoas e hoje, 2012, ainda afeta a sociedade em que estamos inseridos. É absurdo!

Mas voltando para Jesus Cristo, aquele contado por Saramago, um homem comum na busca do autoconhecimento, de fazer o bem, levar uma vida sossegada, lutando pelos direitos daqueles oprimidos que o rodeavam... Esse Jesus me inspira, e não me importa ser considerada louca nos meus dias, repudiar todo o ritual comercial do natal e permanecer em busca de tudo o que há de mais sagrado pra mim: o autoconhecimento e o amor.

Celebrando o amor, desejo para nós recolhimento e reflexão, desapego, coragem, muita luz, amores por perto e a profunda emoção de se relacionar na íntegra, sinceramente, sem amarras e medos, sem máscaras. 

Que assim seja, amém.




Profunda e má... status do dia.



Aqui, é céu e inferno. Mas não seria sempre assim enquanto houver a consciência?

Do lado de cá, do lado de lá...


Da morte, a única coisa que espero é que seja suave... a dor física deste corpo que aprisiona minha consciência e que eu ainda tenho dificuldades em amar, é o que me assusta e ponto.

Reflexões

Navegava feliz. Nem sempre havia sol e peixe, mas com a experiência adquirida, já sabia racionar melhor a provisão dos dias de fartura, equilibrando a escassez dos dias tempestuosos. Ademais, os trovões e os desafios de um mar revolto deixara de ser sentença de morte para seu coração aflito, tornando-se  tão somente uma nuvem passageira e carregada de novos desafios.

A pele temperada de sal e sol apresentava ranhuras que desenhavam em seu corpo o mapa da sua história. Sua embarcação permanecia simples, mas ao contrário do bote inflável cheio de reparos de até bem pouco tempo atrás, agora rasgava o horizonte com mais estabilidade em sua baleeira chamada "Missión". Ainda não entendia como fazer para transformar Missión em um grande e potente pesqueiro, mas sentia no seu íntimo, que havia possibilidades concretas para isso acontecer.
E neste exato momento, sentado na proa à deleitar-se com o colorido entardecer de mais um dia de silêncio e trabalho, perguntava-se: COMO?