Ipê Amarelo - Falsas memórias na sala de espera

Subindo a ladeira, quase sem fôlego, avistou aquele imenso Ipê amarelo carregadinho de formosura.

Lembrou-se da infância e de tantas brincadeiras protegidas pela sombra do Ipê. Este era o seu palácio, e o tapete que formavam as flores amarelas caídas no chão, era do que mais se orgulhava em sua morada imaginária. Depois veio a adolescência, e sob o Ipê, muitas juras de amor e beijos afoitos, cheios de ansiedade por um porvir desconhecido, mas repleto de sonhos.

Quando casou-se, mudou de cidade e por lá nunca encontrara um Ipê pelo caminho. Tantas coisas aconteciam diariamente em uma vida consumida pelo refazer-se, que logo aquele amor de outrora ficou esquecido em algum lugar de sua memória.

Pois a vida passou com os anos ligeiros, feito corrida de 100 metros!

Um dia, sozinha, com a idade já avançada, partiu sem rumo pela estrada. Queria somente percorrer outros caminhos, degustar novos sabores, deleitar-se com bons perfumes e aproveitar-se da sua inteira companhia. O silêncio era algo que apreciava, por isso escolheu verdes campos como moldura de sua aventura.

Ao encontrar o Ipê, entendeu o que procurava. Por ali adormeceu e quando acordou, já estava em um quadro cheio de Ipês até onde o olhar alcançava... foi a paz que sentiu transbordar em seu coração, sinalizando então, a chegada.

Falando de amor romântico - Série: A Cama na Varanda

A Cama na Varanda é um livro da psicanalista Regina Navarro Lins, que propõe lançar um olhar questionador sobre as relações humanas no tocante as nossas idéias sobre sexo, amor e casamento. 

Um livro que já tive nas mãos a cerca de 2 anos atrás, mas na época, não estava pronta para absorver tantas reflexões que ao mesmo tempo que fazem sentido, tiram completamente o chão... é duro se desfazer da ilusão do príncipe em seu cavalo branco!

A partir de hoje, vou compartilhar algumas citações deste livro, que merecem ser discutidas e difundidas.

Em tempos de quebra de paradigma, encontrar semelhantes é reforçar a coragem  em seguir na busca de algo novo, sem parâmetros para comparações, e  não temer a incompreensão de todo um mundo ao redor.

Somos seres sociais e é bom saber que não estamos sozinhos...

" Nessa busca incessante do amor romântico, a mulher na nossa cultura, quando encontra um par, torna-se a Bela Adormecida ao avesso. Quando é beijada pelo homem (príncipe), não é despertada, ao contrário, adormece para quem é, para quem ele é, para a realidade. Adormece e se esforça para ficar adormecida."



Do Amoroso Esquecimento - Série: Mário Quintana



Eu, agora, - que desfecho!

Já nem penso mais em ti...

Mas será que nunca deixo

De lembrar que te esqueci?

Da Realidade - Série: Mário Quintana




O sumo bem só no ideal perdura...

Ah! Quantas vezes a vida nos revela

Que "a saudade da amada criatura"

É bem melhor do que a presença dela.

Do Eterno Mistério - Série: Mário Quintana

"Um outro mundo existe... uma outra vida"...

Mas de que serve ires para lá?

Bem como aqui, tu'alma atônita e perdida

Nada compreenderá.

Encontro marcado comigo mesma

Lagoa da Conceição/Florianópolis

Na Servidão das Palmeiras Nativas, recanto da Lagoa encantada, vim refugiar minha alma densa.

A chuva responsável por toda alteração do dia, estancou.

O céu cinza realça o verde em variados tons. A paisagem acolhe ao som dos pássaros brincantes e famintos.

A garça solitária  passeia atenta na beira da lagoa. Sua dança de caçadora é esquisita, as vezes um pouco desengonçada, mas basta alongar seu lindo pescoço para recuperar sua altivez e graça.

Mergulho em meus sentidos buscando traduzir a tristeza, insatisfação e irritação que pairou no meu dia feito neblina.

Esvaziar-se é preciso...

Estréia do meu novo moleskine...

Chris Maluszynki: http://www.momentagency.com





A vida a beira mar é doce e feliz. 

No ônibus fico a saborear imagens de uma beleza natural exuberante. 

Esse fundo se torna cenário de romances que brotam em pensamentos mais rápidos do que a escrita dessa mão de carne e osso. 

A imaginação supera a matéria e transforma qualquer possibilidade de realidade paralela em realidade viva, presente.

Abrem-se os portais da sensibilidade e a cada manhã busco por páginas em branco para registrar fragmentos dessa vida curta, porém longa nos detalhes...

Vicky - Um conto que nada conta





Vicky era uma mulher com pouco mais de 30 anos.

Em uma madrugada insone, ela lembrava das suas expectativas para esta fase da vida que se fazia presente agora...

O tempo é mesmo uma grande charada! Na juventude, tudo parece demorar muito para acontecer e quando ficamos adultos, o que mais exclamamos é: 

- Minha nossa, o dia já está acabando e eu ainda tenho tanto por fazer! 

O tal do tempo, sempre nos falta... talvez por culpa do relógio, que impõe seu ritmo  para nós ao invés do contrário, o que seria bem mais natural...

A única coisa que Vicky sabia, era que seu tempo havia se esgotado. Isso lhe causava  grande angustia e talvez fosse o motivo pelo qual vagava entre os cômodos da casa vazia, solitária, com sua xícara de chá e um cigarro que se queimava praticamente sozinho, em meio a noite fria.

Nada era como o planejado outrora. Nessa fase da vida, ela já se imaginava casada, com filhos, em uma bela casa decorada por bibelôs trazidos das diversas viagens feitas ao redor do mundo... ao invés disso, era solteira, não tinha filhos e não conhecia nada além da sua cidade natal. 

A vida se mostrava muito limitada, e Vicky acreditava que essa limitação era resultado da sua incapacidade de viver um grande amor.

- Porque amar - dizia ela - ensina  a se entregar mesmo diante dos riscos. Ensina a conter o frio na barriga decorrente da queda de um eterno abismo... ensina a viver sem chão, mesmo sob um teto seguro.

As lágrimas brotavam e Vicky tentava entender porque não conseguia se entregar à experiência de viver um grande amor. Ao recordar seus casos, desde a juventude, percebia que suas expectativas acabavam sempre com o mesmo fim, a frustração.

Quando começava um namorico, ela logo imaginava que este seria o homem da sua vida. Transformava o sapo em príncipe e com ele escrevia sua história até o fim dos dias, até o corpo virar pó.

Neste mundo ideal, nada faltava, tudo era abundante... o amor, o dinheiro, a saúde, a tranquilidade, a felicidade, a fidelidade... mas rapidamente, o sonho se desfazia em lágrimas e sempre pelo mesmo motivo... Vicky descobria a traição e tudo estava acabado.

Decepção, seguida de mais decepção... e sem muita demora, seu coração se fechou em um vazio cheio de dor, que lhe trazia a sensação da seca, como o solo do nordeste. Fértil e seco. Tudo que lhe faltava era um pouco de água para florescer, mas por alguma razão do destino, no seu céu só havia sol.

Vicky não era uma mulher bonita, mas também não era feia. Sua beleza era uma incógnita e precisava de tempo para ser compreendida e apreciada. Ninguém que a visse uma única vez, se encantaria. Também não era gorda, mas muito menos magra. Seus olhos eram da cor do mel e seu cabelo ondulado e escuro contrastava com sua pele clara. Boca levemente delineada, fina e bem pequena. As maças do rosto rosadas, facilmente se enrubreciam. Era tímida e seu olhar dificilmente mirava o horizonte. Costumava contar seus passos toda vez que saía de casa, e assim, se distraía dos olhares perversos das vizinhas fofoqueiras que passavam o dia na janela comentando a vida alheia.

Filha de um casal já em vias de se aposentar, ela era o resultado do que vulgarmente se chama de 'raspa do tacho'. Perdeu seu pai qdo ainda era criança. Sua mãe resistiu bravamente a todos os infortúnios que a velhice pode trazer, e depois de muito sofrer em cima de uma cama com o câncer lhe comendo as entranhas, finalmente se encontrou com Nossa Senhora Aparecida e no reino do céu fez a sua morada.

Vicky era adolescente, recém completos 18 anos, quando se viu só no mundo. Muito religiosa, conforme a educação que recebera, frequentava a igreja todos os domingos e respeitava a quaresma, mesmo tendo verdadeira paixão por carne vermelha.

Como boa cristã, conservava a virgindade como uma espécie de prêmio à sua dignidade. Mas isso lhe custava um mal estar frequente, pois  era acometida por ondas de calor que lhe arrepiavam desde o fio de cabelo até as pontas dos pés, em cada noite de lua cheia, por todos os meses do ano, ano após ano.

Tornou-se costureira, ofício que aprendeu com sua mãe. Era hábil e dedicada. Tinha bom gosto e boas idéias, o que lhe rendia uma freguesia fiel e frequente. Mas não era dada a muita conversa, o que alimentava ainda mais a curiosidade das mentes ociosas da pequena cidade onde morava.

Vicky estava cansada. Sentia sobre os ombros o peso de uma vida sem sal nem açucar, insonsa, sem graça. Sentia-se velha e seu futuro era só o declínio. Não era capaz de confiar em ninguém com mais de 5 anos de idade, exceto o padre da sua paróquia, pois ele sim, era um homem digno. Talvez, o único que conhecera, pois as lembranças de seu pai eram muito vagas para poder estabelecer qualquer parâmetro.

E nesta madrugada, repassando em sua mente o filme triste de sua vida, se perguntava por qual motivo deveria continuar sob o sol incessante que lhe secava a alma. Não entendia em que curva se perdeu de si mesma. Quando foi exatamente que se fechou completamente para o inusitado. Em que momento desistiu de ser feliz. Mas fato é, que havia desistido. Se julgava culpada pela vida que levava. E merecedora de todo o sofrimento que pudesse suportar. Assim, selava seu destino.

Por indicação de uma cliente, havia lido a tragédia de Romeu e Julieta e não podia parar de pensar na coragem da moça em dar fim a sua própria vida com um punhal. Mas sabia que esta não seria uma boa opção para ela, pois era covarde demais para usar um punhal.

Transtornada com os primeiros raios de sol, começou a vasculhar os armários da cozinha em busca do veneno para rato que havia comprado a algumas semanas atrás e por fim, acabou com seu tormento ali mesmo, interrompendo a seiva e tornando-se seca de uma vez por todas.

Porém, antes de morrer, deixou escrito em um papel com letra quase ilegível, a citação que deveria constar em sua lápide: Aqui jaz uma vítima dos contos de fada. Uma moça capaz de transformar qualquer príncipe, em sapo.

Domingo chuvoso, cachola voando...




Refletindo sobre o meu propósito de vida, sinto a necessidade de aprender a amar incondicionalmente, aplicando esse amor em qualquer tipo de relação, seja ela de amizade, entre pais e filhos, namorados, enfim... o grande aprendizado é compartilhar o amor de forma que juntos, sem deixarmos de ser individuais e únicos, mas unidos por afinidades, saibamos superar os medos que nos limitam, deixando-nos a margem de nós mesmos.

É chegado o momento em que somente refletir sobre esses medos que atormentam a todos nós, não é mais o suficiente. A ação é fundamental para concretizar a mudança inevitável. E se resistirmos ao inevitável,  isso com certeza resulta em dor.

Precisamos viver diariamente a ação do verbo 'compartilhar'.

Pensando sobre isso, me pergunto: e como é 'namorar' dentro dessa busca?...


... coloco minha embarcação no mar e, marinheira que sou, vou navegar...

Autista




Uso óculos escuros para melhor enxergar dentro de mim.


Percebo buscas e propósitos de vida diversos do habitual... me deparo sendo na maioria das vezes, considerada autista por quem está ao meu redor.

Não compreendemos facilmente o que não podemos tocar, atestar, o que não é 'concreto'...

 
Sigo em frente, Autista.

Imagem x Reação



(Nick Gentry Art: http://www.nickgentry.co.uk/

Busco me reconhecer no espelho de cada ato.


Se em cada ato, expresso meu estado atual de evolução concreta, então é na ação onde mora qualquer possibilidade de mudança. Ao observar cada ato realizado, recolhemos as necessidades de ajustes, consciente ou inconscientemente, e ao alcance de um próximo passo que só depende de nós mesmos, podemos agir em prol destes ajustes. 

O movimento sadio da ação  coerente e reflexiva com as crenças e buscas que alimentam o mais íntimo na nossa alma, traz consigo um combustível necessário para nos libertar de todo e qualquer tipo de medo, a auto confiança.

Essa é a roda: ciclo de vida-morte-vida, nada mais que a transformação constante de qualquer ser vivo nesse universo.

Entrar no ritmo da natureza, é ter em mente a possibilidade constante de se renovar. O universo é abundante.

E pra começar?!

Esvazie-se!
 
...





A Casa dos Espíritos


Minha memória mais uma vez me passou a perna, mas eu só tenho a agradecer.

Um amigo me emprestou o filme "A Casa dos Espíritos", pois eu não me recordava de ter assistido. No decorrer da trama fui lembrando com clareza das cenas que viriam em seguida, mas o encanto por assistir até o final não se perdeu. Dotado de um roteiro riquíssimo e interpretações tocantes, este filme chegou fundo no coração e lavou a minha alma nesta noite fria.

Compartilho alguns trechos especiais que valem a pena ecoar dentro de nós...

"Você não deve desejar a morte, minha filha. Isso não é importante. A morte virá de qualquer forma. Você tem que lutar para viver, pois a vida é um milagre."

"E hoje pergunto-me se quero contribuir para a interminável história de ódio, sangue e vingança. Mas já não encontro razão para isso. Pra mim a vida é minha filha... a luz... o dia... este exato momento, as recordações, o futuro. Para mim, a própria vida se torna a coisa mais importante."


Vida Curta



São tantas as vendas que nos vestem a alma que chegamos a percorrer uma existência inteira sem nos darmos conta do nosso verdadeiro propósito de vida...

Amor Incondicional



Sou filha de uma eterna adolescente que viveu intensamente a década  de 70, reproduzindo em seu micro universo a essência do movimento hippie. 

Amor, paz, liberdade e respeito com o outro e com o planeta, nossa única e verdadeira casa.

Nasci em um lar completamente fora dos padrões da época e tenho só a agradecer por isso!

A mensagem de amor incondicional sempre permeou a minha educação e mesmo assim, só agora, com 32 anos, começo a entender o que isso significa...

Os caminhos são por vezes tortuosos, especialmente quando negamos a mudança e queremos nos manter estáticos diante de um mundo em constante transformação. Eu mesma neguei tanto por muito tempo e isso me jogou em um poço de tristeza e insatisfação. Colocou-me tão distante da minha essência que até os sonhos me abandonaram... doeu.

Temos dois caminhos para a evolução: o amor e a dor. Amar e sentir dor é uma das dualidades da vida. São duas pontas da mesma corda. É muito difícil admitir que culturalmente estamos condicionados a optar pela dor, que cultivamos a dor. Essa é uma triste verdade. Mas afinal de contas, se podemos aprender amando, porque optamos pela dor?

Simples. Porque ainda não aprendemos a amar. 

Não entendemos o que significa amor incondicional. Então, na busca desse entendimento, procuro em um primeiro ímpeto, o dicionário:

Incondicional: que não depende de condições; sem restrições; discricionário (ilimitado).

Como assim amar incondicionalmente se é ilimitado e não depende de condições? Afinal de contas, um amor solitário é sangrar a céu aberto, e um amor correspondido é guardado feito tesouro de rei e rainha, a sete chaves... 

Assim, prosseguimos achando que amar necessariamente implica em sentir-se correspondido quanto ao sentimento, intensidade e formas de demosntrá-lo. Necessitamos também, sem dúvida, possuir inteiramente esse sentimento. Ele torna-se nossa propriedade, pois entregar o nosso grande pote de ouro com todo o nosso amor é algo valioso demais para ser desperdiçado com alguém que não saberá cuidá-lo e apreciá-lo na medida que achamos correto e digno.

Ahhh ledo engano... nós nos tornamos seres inseguros demais!! Perdemos a noção do que é amar de verdade assim que nos desligamos do olhar interior e demandamos todas as nossas percepeções do que recebemos do mundo ao redor. Dessa forma deixamos de nos amar, nos reconhecer em qualidades e limitações e nossa visão fica refém de um espelho que deforma, é embaçado.

Olhamos os nossos semelhantes com medo e isso gera isolamento e competição. Achamos que amor implica em obrigações com o outro. Achamos que a clausura é opção de quem ama de verdade e vamos pouco a pouco adoecendo sem perceber. Adormecendo em um crescente pesadelo sem fim... E feito um buraco negro, o vazio só faz aumentar, até que nos devore por completo!

Daí é preciso agarrar-se a vontade de viver bem, de se fazer feliz e criar coragem! Coragem e persistência para seguir o rumo desconhecido de se reconhecer, refazer, reconstruir... 

Compartilhamos todos de uma natureza curiosa e pioneira, somente diferenciamo-nos pela coragem de buscar essa natureza na vida prática. 

Inevitavelmente a busca de um reencontro consigo mesmo é solitário. É preciso cultivar o silêncio e a observação como adubo fértil da consciência. 

A ajuda chega por diversos caminhos e um deles é a leitura. Ler ficção, filosofia, poesia, romance, prosa, seja o que for, ler transcende nossos limites sem tanta resistência... e lendo me deparei com um romance antigo mas atual. Singelo e recheado de verdades universais... dele recolho esse trecho:

"Cada pessoa precisa encontrar toda a capacidade de amar dentro de si mesma, sozinha.
... quem não tem controle de todo o seu potencial de amor, quando encontra alguém apenas parasita o amor do outro... assim, um parasita o amor do outro, para completar o amor que está lhe faltando para viver."

(O Coiote - Roberto Freire)

Quando nos entregamos verdadeiramente a busca pelo aprendizado do amor incondicional, o universo conspira ao nosso favor!!

O que identificamos em nosso silêncio será colocado à prova na vida prática quando menos esperamos. Porquê, se para atingir a consciência é preciso recolhimento e reflexão, para concretizar a mudança, é imprescindível a ação.

Quanto ao tempo que essas transformações irão demandar... bom, daí é muito particular. O tempo de cada um é único. Mas se a intenção é verdadeira, a vida flui de forma muito natural e te leva a incríveis 'coincidências'... 

Neste final de semana, um amigo querido me fez recordar a adolescência quando coloca o DVD com o musical HAIR... um dos meus filmes prediletos na época e por tanto tempo empoeirado em um canto desconhecido da memória.

Logo no início do filme a música Aquarius surpreende meu momento... hino de amor que descreve a realidade desse século... mais uma vez, o universo traz as minhas mãos um sinal de que estou no caminho certo. 

Busco aprender a amar...




Café com Leminski*


"Isso de querer ser exatamente aquilo que a gente é, ainda vai nos levar além."

Corridinho * Adélia Prado


"A multidão em volta,
com seus olhos cediços,
põe caco de vidro no muro
para o amor desistir.

O amor usa o correio,
o correio trapaceia,
a carta não chega,
o amor fica sem saber se é ou não é.

O amor pega o cavalo,
desembarca do trem,
chega na porta cansado
de tanto caminhar a pé.

Fala a palavra açucena,
pede água, bebe café,
dorme na sua presença,
chupa bala de hortelã.

Tudo manha, truque, engenho:
é descuidar, o amor te pega,
te come, te molha todo.

Mas água o amor não é."

 

Pérolas de um Bagulho Bom...



"Coração não é ilha, é mundo. Felicidade completa é uma vila de amores. Romance de náufragos na ilha deserta é o drama do marasmo."


"Mulher bem vestida mexe mais que bunda. Descobrir as formas sacode o desejo. Sensualidade é inteligência, senão é apenas instinto primitivo."


(via @BagulhoBom)

Silêncio


Vertiginosa queda em um abismo que parece não ter fim, é o que sinto ao entregar-me ao silêncio que existe em mim. Estranho desconforto confunde-se com solidão. Persisto. Quando nos escravizamos pela colheita dos cinco sentidos, habituamo-nos a muitos ruídos que nos acompanham sem ser acompanhamento, e sim, o compasso do nosso ritmo. Ilusão! Desde quando ruído pode ser compasso? O ritmo é particular e intransferível. O ritmo é seu e não do mundo ao seu redor. Não importa a demanda, ela sempre existirá. Importante mesmo é o compasso do seu silêncio. Porque o silêncio na verdade é dotado de melodia sutil, harmônica e sussurra verdades à consciência. É preciso muita dedicação para sintonizar essa frequência! Recolhimento e silêncio não é solidão, é acompanhar-se de você mesmo. Você não é boa companhia não?!?...

Agora, se a frequência é o ruído, a interferência, e o silêncio está fora do ar... então, divirta-se!! Absorva-se  pelo que te faz rir, pelo que te dá prazer!




Diário de Verão

...


Calor.

O suor escorre por entre as pernas trazendo nuances suaves de carícias de amor.

Saudade.

...

Aconchego do Lar

Tenho paz na igreja a beira mar
Tenho risos e sorrisos sem tempo
Sem jeito
Sem nexo
Sem preceitos...
 

Inspiradíssimo @BagulhoBom



"O silêncio é o renovador de idéias mais natural que existe. Meditar é preciso."

"Vibrante como música, fluido como dança, a vida é uma sinfonia. Somos maestros do ritmo. Controlamos o tempo pelo andamento do pensamento."

"Viver é musical desde o chôro inicial. Não falamos, cantamos. Somos jazzistas, repentistas, nos realizamos como artistas do improviso."

Hoje especialmente cadenciado... @BagulhoBom! Muito bom!

Alberto Caeiro

"O que nós vemos das coisas são as coisas.
Porque veríamos nós uma coisa se houvesse outra?
Porque é que ver e ouvir seria iludirmo-nos
Se ver e ouvir são ver e ouvir?

O essencial é saber ver,
Saber ver sem estar a pensar,
Saber ver quando se vê,
E nem pensar quando se vê,
Nem ver quando se pensa.

Mas isso (triste de nós que trazemos a alma vestida!),
Isso exige um estudo profundo,
Uma aprendizagem de desaprender
E uma sequestração na liberdade daquele convento
De que os poetas dizem que as estrelas são as freiras eternas
E as flores as penitentes convictas de um só dia,
Mas onde afinal as estrelas não são senão estrelas
Nem as flores senão flores,
Sendo por isso que lhes chamamos estrelas e flores."

(via @jeffersonguedes em resposta ao poeminha da Adélia Prado: “De vez em quando Deus me tira a poesia. Olho pedra, vejo pedra mesmo”)

Poeminha de Mateus Carneiro*

"Se vê quando não se entende a linha
Se sabe mesmo estando escuro
Se decora pelo tato, paladar, olfato
Se faz logo mesmo quando distante
É porto mesmo quando sem água
Faz-se minha mesmo quando ausente
Faz-se sempre mesmo quando o tempo pára"

Espera

Amanheceu o dia
amarelo cintilante
e apesar de ofuscante
o sol sorria tristonho

minutos, horas, períodos
foi-se o dia
feriu-se a lua
na chegada nua
da luz na rua
amarela
.
.
.
solidão
espera

Utopia

"Utopia. Ella está en el horizonte. Me acerco dos pasos, ella se aleja dos pasos. Camino diez pasos y el horizonte se corre diez pasos más allá. Por mucho que yo camine, nunca la alcanzaré. ¿Para qué sirve la utopía? Para eso sirve: para caminar”.


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Li esse textinho a muito tempo atrás e já não constava os créditos. Se alguém souber me dizer de quem é, eu agradeço!

7 dias no mês


Sentia perfeitamente a oscilação das suas substâncias e voltou toda atenção ao próprio corpo. Influência das últimas notícias que ouvira na TV: - … a curva causada pela baixa de estrogênio e o aumento da testosterona... pico de LH, produção de sei lá o que… toda uma descrição de atividades químicas intensas, que percorrem em ciclos, os longos e efêmeros dias de nossas vidas.

Fervilhavam cócegas que podiam, muito bem, assumirem-se tesão e relaxarem lambuzadas no gozo... mas havia a tensão em outra via, contra-mão, onde toda a sensação toca o desespero do momento da explosão, do sentir-se rendido, cansado, acabado, em desconstrução!
Este momento é tão intenso, real e decisivo, que não é possível temer arrependimento por nenhuma precipitação encalorada da emoção.
Um sentir-se sufocado que denota um forte desejo de mudança, uma insatisfação… ou seria a curva?

- Esta asfixia é um não saber lidar com finais de ciclos, com a morte. A morte não é um fim, nem o abandono, a indiferença, a distância ou o esquecimento. Também não é morte reservar mágoas, dúvidas, arrependimentos. A morte é o espaço necessário para o latente romper a fina película que o separa da realidade, do crescer e florescer. Este espaço deve ser fértil, e é alimentado por quem antes o habitou.

Assim, a intuição resgata do pânico particular, usando uma lista mental crescente de aprendizados válidos durante o ciclo que chega ao fim. 

É mesmo importante ajudar essa energia a encontrar seu percurso, pois ela destrói os nervos de praticamente todo "homem fêmea".

* To-da me-ni-na tem TPM / só a bailarina que não tem *

- Por maior que seja a indisposição, é movimento, ação!...

... dizem que melhora, diz a bailarina que não tem...

Montanha Russa

Tem essa dor que faz do peito um aperto.

Tem o frio que faz do andar um desequilibrio.

Tem o tremor que faz da fala um murmúrio.

E tem o exagero da emoção inexperiente.

Tem a fraqueza se contrapondo com a clareza.

Tem as dicotomias abalando cada ação.

Tem instantes de verão

Outros, rigoroso inverno.

Tem atitudes decisivas

E aquelas cotidianas.

Tem o volume, tem o tom,

Tem a intensidade e a revolução,

Tem a conformidade e a renovação.

Tem também o não saber em qual "Tem" vive o presente.

O constante perceber do atraso nos tempos do viver e absorver...

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Perder-se faz parte da busca de novos caminhos. O importante é não perder de vista que a todo momento podemos nos reencontrar. 

Via @BagulhoBom

"O passado é como o lixo. Ou você o recicla ou contamina todo o seu futuro com ele."


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Realize o presente que reflete o seu anseio de futuro - penso muito nisso. 

A reciclagem começa com uma decisão em qq tempo. É preciso coragem, persistência, dedicação, paciência e o resultado aparece. 

É feito músculo, precisa exercitar a consciência e assimilar faz parte de um processo mto particular, variável, mas acontece, pois todos caminhamos para o mesmo lugar e vamos chegar em algum momento nesse ponto único de onde tb viemos.

Se não sabe do que vc ri

"Mulher, dar para um cara que não te faz rir é pior que sem graça, é a maior tristeza. Se não sabe do que você ri, não sabe do que você geme."


Via @BagulhoBom



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Esse bagulho é inspirado demais... falou e disse tuuudo!!

Amor 77 - Julio Cortazar*



"Y después de hacer todo lo que hacen, se levantan, se bañan, se entalcan, se perfuman, se peinan, se visten, y así progresivamente van volviendo a ser lo que no son".

Madame Bovary – Pelas ruas de Rouen*



... "pois era assim que eles gostariam de ter estado, um e outro criando um ideal sobre o qual ajustavam no presente sua vida passada. Aliás, a palavra é uma prensa que sempre alonga os sentimentos."

9 Canções



"Comédia romântica é anticlímax. Deviam fazer mais filmes como 9 canções. 1000% libido:"




(via @BagulhoBom)


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Esse filme é uma delííííciaaaa!! 

Vejo os atores principais como sendo duas pessoas dispostas a viver uma grande aventura, desinibidas, desprovidas de pudores... pq a busca do diretor não poderia bastar-se apenas por bons atores, não é verdade?!? 


Para chegar a esse resultado de tesão, arrepio e emoção... precisava rolar a química da experiência sem amarras!


Mulheres... 'Belle de Jour'



As mulheres tem medo das suas própias fantasias!! 

Buñuel traduz lindamente...  




Assistir 'Belle de Jour' funcionou como um bálsamo para a dor do desapego. A negação materializa as piores situações... Negamos para justificar apegos...


Depois que desapegamos de sentimentos como a posse, insegurança, medo, falta e vivemos a abundância, o amor incondicional, o presente eterno... a dor passa e o prazer fica! 


Aliás, se revela um prazer inigualável, imperscrutável, como fundir-se ao Divino. 


Coragem! Descubra a liberdade e viverá um grande amor antes de mais nada, com você mesma... simplesmente acontece. Feito imã, você atrai semelhantes... tire a venda, saia da matrix e olhe ao seu redor.

Vamos nos amar, mulheres!?!

 

Qdo as mulheres aprenderem a se admirar ao invés de competir, elas entenderão porque os homens amam (todas) as mulheres!


L' Homme qui aimait les femmes - François Truffaut